sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Um pouco de literatura (Narrador onisciente em primeira pessoa)

Narrador Onisciente em Primeira Pessoa


     Técnica que permite uma narrativa lírica, escachada e irreverente sem o rótulo de lirismo. O narrador-personagem imprime seu estilo característico à narrativa. Suas impressões pessoais deformam os fatos, suprimindo detalhes da estória conforme suas preferências, dúvidas ou lembranças. O leitor fica refém da vontade do personagem, de sua ordem e maneira de contar, por vezes percebendo sobre um fato narrado algo diverso do que foi contado, de modo à narrativa se multiplicar. O narrador-personagem, que é onisciente, relata o que já aconteceu sabendo o que acontecerá a seguir. 


O Coração das Trevas, Joseph Conrad: Aqui existem dois narradores em primeira pessoa, contudo, apenas o marinheiro Marlow é um narrador onisciente. É ele quem leva o leitor por uma excursão à uma áfrica inexplorada ao olhar britânico. Apesar do olhar britânico do personagem, sua narrativa é imparcial, mostrando, por exemplo, a crueldade e vileza dos interesses do império britânico na empreitada. 
     O primeiro narrador aparece em poucas passagens do livro: no começo antes de Marlow começar o seu relato, quando o personagem-ouvinte o interrompe, e após este concluir seu relato, no final do livro.


O Estrangeiro, Albert Camus: Um narrador em primeira pessoa sui generis, apesar de seguir os padrões anteriores, Mersault, o narrador de Camus, parece viver o que conta, senão num presente, num passado próximo, como se a cada capítulo ele reportasse ao leitor os acontecimentos que acabaram de afetá-lo em sua vida. Mersault possui ainda uma marca pessoal em sua narrativa: uma indiferença absoluta ao mundo das convenções humanas.



Lolita, Vladmir Nabokov: Um narrador que brinca com leitor, iludindo-o por diversas vezes durante o livro. O tema central deste é a relação de Humbert Humbert, um pedófilo, com Dolores Haze, uma garota pré-adolescente. A obra também é um verdadeiro glossário do vocabulário erótico usado até hoje. 



A Laranja Mecânica, Anthony Burgess (enquadrado nesse blog também como literatura crítica): Aqui o leitor entra na estória pela narrativa de Alex, sendo levado por ele a cenas perversas protagonizadas por sua gangue e tendo que inferir por contexto, a época da narrativa, o significado dos neologismos e das gírias do dialeto Nadsat (efeito planejado por Burgess para  aumentar a sensação do leitor de estar entrando em uma terra estranha e hostil). O aspecto crítico da obra será abordado no post sobre literatura crítica.



O Apanhador no Campo de Centeio, Jeromé David Salinger: Apesar de toda a mística envolvendo esse livro em virtude de ele ter sido encontrado sucessivas vezes entre os pertences de assassinos célebres, o livro em si é uma narrativa onisciente em primeira pessoa do ponto de vista de um adolescente desajustado nos Estados Unidos na década de 40. Através do relato de Holden Caulfield, personagem principal da obra, é  exposto o “lado B” do país em muitas questões. Naturalmente uma narrativa do ponto de vista de um desajustado cria uma espécie de identificação em muitos de nós, que assumimos o papel de desajustados em um ou outro momento de nossas vidas. Assim, não é difícil entender o magnetismo deste livro a uma pessoa com tendências assassinas, com padrões de pensamento naturalmente diferentes da maioria e sério candidato a ser um desajustado por um longo período de tempo. Portanto, se há uma correlação, em minha visão, entre os criminosos e o livro, esta só poderia ter uma explicação: uma catarse de uma pessoa socialmente repudiada (o que os assassinos citados demonstraram ser nas investigações). Li o livro há 3 anos, e à exceção de alguns insetos, literalmente perniciosos ou peçonhentos, ainda não matei ninguém.



O Pequeno Príncipe, Saint-Exupery: Deve-se destacar a simplicidade nesta narrativa que é ao mesmo tempo infantil, alegórica e repleta de simbolismos, o que resulta em um livro mutável que acompanha a fase de maturidade do leitor. A narrativa, por seu forte caráter alegórico, delega ao leitor o poder de escolha da realidade que irá assumir para entender a estória (O Labirinto do Fauno é um exemplo de filme que segue tal premissa). Peter Pan, James Matheu Barrie é outro exemplo da mesma premissa, não tão fiel a ela, contudo. (este último se enquadraria no estilo clássico).



O Chamado de Cthulu, H. P. Lovecraft: Exemplo de narrativa onisciente em primeira pessoa com presença de suspense e terror. Diferentemente da agonia presente nas narrativas de Kafka (que neste blog integra o gênero da literatura crítica), em que se está preso a uma teia de perversidade humana numa realidade severa, a agonia aqui se deve a uma irrealidade terrível que espreita a narrativa descortinando-se de forma intermitente. A narrativa de Lovecraft é nervosa e faz crescer o pânico do leitor em cada ponto mal explicado da história humana e em eventos irrastreáveis, como, por exemplo, um culto nos confins da áfrica. A transição da paranoia do personagem narrador para uma teoria de conspiração cósmica sólida levanta a possibilidade de haver uma realidade negada, uma realidade oculta, terrível, ancestral e inescapável. A construção do pânico em cada etapa dessa transição é o grande trunfo de Lovecraft para envolver o leitor em sua trama.


O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald: Outro exemplo de narrador onisciente em primeira pessoa. Além das variações estilísticas de Fitzgerald, deve ser destacado que, nessa obra, o narrador é figura coadjuvante na trama, sendo o personagem Gatsby o protagonista.
O leitor toma contato com Gatsby através de:
- Impressões do narrador.
- Boatos sobre Gatsby ouvidos pelo narrador.
- Cenas e diálogos presenciados pelo narrador.
Assim, muitas características falsas e verdadeiras são primeiramente agregadas ao misterioso personagem. Em seguida essa figura é desconstruída gradativamente até que sobre apenas o seu verdadeiro retrato.


Próximo post: Literatura crítica.

Boa leitura.





quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Um pouco de literatura (Estilo Clássico)

     Estilo clássico:

    - Narrativas sem revoluções temporais; toda passagem de tempo é bem explicada e segue uma cronologia rígida: "no dia seguinte..."

    - Técnica narrativa conservadora. O narrador sempre aparece como figura central, descreve holisticamente personagens, ambientes, etc.

    - Cada personagem se submete ao seu preâmbulo ou enunciado antes de agir: "fulano pensou", "fulano falou".  

     Apesar de sua aparência simples, o domínio deste estilo é fundamental, pois:

     1- Muitos autores voltam a ela em algum momento em suas obras, ainda que modernistas. Esta é usada como técnica base. 

     2- Obras escritas nessa técnica enriquecem o vernáculo, pois o narrador sempre procurará usar o melhor conjunto de palavras para descrever ou nomear algo ou alguma situação(diferentemente das narrativas em primeira pessoa, fluxo de consciência e congêneres, em que a limitação de vernáculo ou o erro de descrição podem ser vistos como recursos para demonstrar uma característica do personagem narrador).

     3. Ensina a concisão e a coesão na comunicação dentro e fora de um livro: Pois o narrador deve, na esperança de se impor, sempre buscar a forma mais sucinta de contar, descrever ou definir uma ideia ou um fato.

     Estas competências básicas são fundamentais para quem planeja se comunicar melhor, seja na forma escrita ou na comunicação verbal. 

     Livros sugeridos dentro dessa técnica:

     Guerra e Paz, Liev Tolstói: Narrativa densa contendo um vocabulário variado que beira a perfeição descritiva. O livro é um retrato complexo da realidade e muitas vezes nos dá a impressão de ter sido composto por um ser dotado de percepção sobre-humana, como se o autor fosse uma entidade à cima da morte e da vida.
     Deve-se destacar na obra a maestria do autor na verossimilhança descritiva e narrativa, algo importantíssimo no cenário literário, pois, na maioria dos casos, só é possível fazer um leitor se identificar com algo que este aceite ser real. Tolstói convence o leitor em poucas páginas da realidade do que está narrando e em seguida o envolve de tal forma, que a sua própria realidade passa a parecer mal acabada em comparação à da obra. A variedade de personagens e personalidades anula qualquer preferência do autor e impossibilita, na maior parte do livro, o reconhecimento de seus alter-egos. A narrativa neutra mantém sua imparcialidade através da anulação de um ponto de vista bem fundamentado de um personagem por outro oposto igualmente bem fundamentado. Assim se anulam ateus, católicos e ortodoxos, franceses e russos, entre outras muitas oposições presentes na obra.        Tolstói também integra outro gênero literário, o monólogo interior (que será abordado em outro post). Inclusive com o próprio Guerra e Paz.

     Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway: Narrativa clássica que oscila conforme o momento emocional da obra, exemplifica a aceleração narrativa no estilo clássico (atenção para esse fenômeno especialmente nos capítulos finais).

     O Velho e o Mar, Ernest Hemingway: Célebre por sua composição concisa e sua precisão narrativa. Estilo econômico e enxuto que radicaliza a objetividade narrativa, sem, contudo, deixar de contar uma estória intensa com uma mensagem profunda. Outro exemplo de concisão narrativa, este no gênero conto, é Anton Tchekhov. Deste autor indico Angústia e principalmente A Obra de Arte. (Atenção aqui para objetividade descritiva. Lendo um pouco de Tchekhov, logo se compreende que todo o elemento descrito é usado e corrobora para o clímax. Assim, o leitor fica condicionado a observar os elementos dados pelo autor ao invés de procurar outros elementos que não obedeceriam ao objetivo central do conto.

     Um Conto de natal, Charles Dickens: Narrativa leve que se esconde atrás da trama central e passa despercebida. O livro parece procurar ajudar o leitor a terminá-lo; um exemplo de narrativa clássica fluída. Outro exemplo de narrativa clássica fluída, em que o narrador se esconde atrás da trama e da mensagem central, é Orgulho e Preconceito, Jane Austen. Ambos os livros devem ser estudados a fim de se obter elementos para a composição de textos que possuam bom ritmo de leitura. 

     Contos de Andersen: Narrativas curtas em que o narrador clássico mistura elementos fantasiosos com realísticos: árvores conversam em meio a uma sociedade tomada pela desigualdade social, natureza sussurra enquanto tragédias humanas acontecem, o mágico aparece com naturalidade ao lado do real. Apesar do caráter aparentemente infantil da narrativa, muito da sociedade da época (críticas e anseios) está exposto nesse livro. 

     O Hobbit, Tolkien: Narrativa clássica de caráter épico e mitológico. Alternativa às consagradas epopeias. Um narrador cheio de lirismo e escachado na descrição de seus personagens apresenta a trama central. Diferentemente do seco e essencialmente descritivo narrador do mesmo Tolkien em O Senhor do Anéis.

     Vinhas da Ira, John Steinbeck: Narrativa clássica com algumas variações estilísticas, a exemplo do Guerra e Paz de Tolstói, em alguns capítulos, o autor conversa com leitor usando as passagens dos personagens como embasamento para suas teorias ou argumentos. O livro demonstra como sociologia e economia estão intimamente ligadas. Há de se destacar ainda que um de seus capítulos possui uma genial e sucinta explicação sobre fenômeno econômico chamado Dumping.

     A Pérola, John Steinbeck: Narrativa concisa que lembra por vezes o estilo empregado por hemingway em O Velho e o Mar. Steinbeck, contudo, como narrador, foge por vezes da narrativa seca para dar maior ênfase ao momento emocional do personagem. Este o faz através de comparações e da narrativa das impressões dos personagens sobre os acontecimentos: “Kino agora tinha um futuro”. A descrição do momento emocional é bem presente nessa obra. 


Próximo post: Narrador onisciente em primeira pessoa.

Boa leitura.






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Um pouco de literatura.

     Primeiramente:

     1- Esta série de posts não tem intenção de se tornar gabarito ou manual de escrita ela é apenas um depósito de experiências particulares, na esperança de que alguma delas seja de algum valor para uma nova geração de escritores/leitores. 

     2- Todos os livros indicados foram lidos e interpretados segundo um débil e limitado ponto de vista humano, o meu. (portanto não se deixe doutrinar, leia cada um dos livros que despertar a sua curiosidade e forme o seu próprio ponto de vista sobre ele).


     Posto isso a questão central deste artigo pode ser abordada livremente e sem embaraços:

     Por onde começar?

     Esta pergunta pode ter diversas causas, mas é certo que em algum momento, por essa ou aquela razão, (geralmente diante de uma opressora página em branco, ou de uma resolução de leitura) ela se apresenta a cada um de nós.

     Evidentemente a resposta para essa questão não é única, muito menos direta, de modo que se pode sugerir caminhos de obtenção da resposta, contudo jamais a resposta em si.
Com essa proposta este blog apresentará periodicamente sugestões de leituras e exposições técnicas.

     As divisões de estilo servem apenas para facilitar a consulta, pois é muito difícil enquadrar uma obra literária em um estilo específico, já que cada obra é única e pode acumular muito mais do que um estilo. Estes apenas estão sendo usados aqui como agrupamentos das características predominantes comuns entre livros, de forma que o leitor possa ter um guia rápido dos livros que podem ajudá-lo a se aprofundar na técnica que tenha preferência.  



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Legado Humano

           No período Paleolítico, dentre as muitas espécies que habitavam o planeta, o ser humano poderia ser apontado como uma aposta improvável para o posto de futura espécie dominante. Afinal, o ser humano não tinha garras dilaceradoras como as de um felino, tampouco a mesma agilidade; não tinha mandíbulas poderosas como as de alguns mamíferos, répteis ou peixes que outrora foram os grandes dominantes da cadeia; nem, ao menos, tinha pelos suficientes para possuir uma proteção razoável contra o frio. Na tentativa de se tornar uma espécie um pouco mais resistente à ação de seus predadores naturais (que eram muitos), o ser humano passou a usar garras, peles e ossos de outros animais.
           Contudo, a natureza preparara o ser humano com algo mais. Não foi cedo que o ser humano primitivo entendeu o presente que a natureza lhe dera. Por muitas vezes este se confundiu tentando imitar outros animais ou simplificar a solução de sua equação biológica.
           Alguns poderiam dizer que este algo mais seria: o raciocínio, a mente, o cérebro, o fogo, os inventos, a observação, a ciência ou congêneres. O que não seria errado, embora todas essas hipóteses apontadas sejam meros subprodutos do que realmente fez a diferença na luta pela sobrevivência dos pobres macacos de pelos ralos: a capacidade de deixar um legado.
           A capacidade de deixar um legado foi determinante na construção da supremacia humana, pois de nada adiantaria um ser humano aprender a usar o fogo, observar padrões físicos, desenvolver técnicas de afiação, costura e etc, se este conhecimento se perdesse com o fim de sua curta e ínfima vida humana (quando comparada ao curso das eras). O ponto em que chegamos não pode ser sequer compreendido em uma simples vida humana. Vivemos em uma época em que temos que escolher no que nos especializar, pois o conhecimento sobra; não é nem de longe possível aprender a totalidade.
           Evidentemente, não é exclusividade humana a capacidade de deixar um legado, mas nenhum outro ser a demonstrou com o mesmo nível de refinamento, pois algumas coisas passam sim de pai para filho, mas a memória é frágil, confusa e pouco confiável, deteriorável nos detalhes, principalmente se usada para absorver aquilo que o ser possuidor não tem interesse em aprender. Portanto, o grande trunfo humano se refere a algo mais avançado, mais refinado, até onde se é possível saber, refere-se a algo sumério ou egípcio.
           Com o advento da escrita, passou a ser possível estabelecer a comunicação entre as gerações. Mortos poderiam falar com vivos, e o bastão poderia ser passado ao próximo para que este o levasse mais adiante. O legado humano pode inclusive estender o tempo da vida humana. Passou a ser possível derivar mais, aprimorar mais e, cada vez mais, se tornou possível armar a próxima geração com uma vantagem quase injusta perante as outras espécies. Chegou-se ao ponto em que um ser humano que tinha passado duas décadas sobre a Terra possuía invenções, construções e conhecimentos equivalentes aos que teria um ser com uma idade dezenas de vezes maior do que a sua. O ser humano passou a conhecer as outras espécies, suas nuances, suas fraqueza, e logo o jogo da sobrevivência virara um brinquedo, uma linha de pesquisa.
          A partir deste momento, o conhecimento humano explodiu e, mesmo hoje, certas tecnologias, expressões e representações de algumas sociedades humanas do passado ainda não puderam ser completamente entendidas. Basta lembrar que recentemente se descobriu que o método usado pelos egípcios para arrastar os pesados blocos que comporiam futuramente as grandes pirâmides e outros monumentos, consistia em simplesmente molhar a areia. Isso estava escrito repetidas vezes em hieroglifos e demonstrado em diagramas. Apenas agora, mais de dois mil anos depois, fomos capazes de entender a mensagem, pois ao longo de todo este tempo não fomos capazes de descobrir tal método por nossas próprias capacidades.
         Tais exemplos se multiplicam ao longo de nossa história, e mesmo o que a ciência descobre em um dia permanece uma incógnita para todos nós, pois não mais conseguimos aprender a totalidade de qualquer área, mesmo das descobertas imediatas e recentes, crescemos demais em um único dia para que isto seja possível. Esta sobra de conhecimento passou a gerar um desinteresse sistêmico, uma saturação, um profundo estado de confusão que vem crescendo ao longo das gerações, que procuram cada vez mais se refugiar em letargias de todos os tipos. Vivemos uma época em que o acesso não é o problema, mas sim o excesso.
         A exaustão e, até mesmo, a fobia que se criou ao sistema de conhecimento se explica, além do excesso de conhecimento, pela contaminação da cadeia.
         Em algum momento, a pureza de nosso dom natural se perdeu. Muita coisa travestida de legado foi inserida na história humana, em suas teorias, em suas percepções. Doenças de gerações, debilidades lógicas, emocionais, sentimentais, espirituais eram passadas adiante. O grande legado humano tornara-se venenoso. O ser humano aprendera a tramar através das eras, os mortos podiam dominar os vivos mesmo após o silêncio decretado pela morte. As vozes impressas de seres cujos ossos há muito haviam se tornado poeira varrida pelo vento podiam atormentar os debutantes na vida, podiam confundi-los, manipulá-los e arruiná-los. Sem tanto esforço, podemos encontrar na mente alguns exemplos de mortos que atrasaram as eras com o eco de suas existências impresso no legado humano. Estes narram o que os vivos devem dizer, e suas vozes mortas ganham vida por cordas vocais incautas, maculadas pela demência rebuscada travestida de sabedoria. As vozes perniciosas circulam por mentes que eles jamais poderiam imaginar que fossem existir, e a sua doença continua se espalhando.
         É em busca dessa pureza perdida que este blog foi criado; na esperança de que cada um que passar por aqui possa se entender melhor, se orientar conforme seu próprio caminho e, a cima de tudo, se inspirar para prosseguir na luta para descobrir e compor o seu próprio legado; pois a evolução do legado é pré requisito para a evolução de uma era. Assim, para que o avanço seja possível, é necessário restabelecer em cada um de nós a capacidade de receber e dar de forma purificada a essa corrente transcendental; o grande e único real patrimônio humano, ao qual cada um de nós deve e, em algum momento, poderá também se tornar credor.